quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Grandes figuras

São José é outra das grandes figuras do Advento e com ele temos muitas lições a aprender que nos ajudarão a viver com mais intensidade este período: silêncio, recolhimento, oração, adesão total à vontade de Deus, mesmo não compreendendo os caminhos por que Deus nos quer levar, amor a Maria e a Jesus.
José significa em hebraico «que Deus acrescente». Segundo o Evangelho, descendia de uma grande linhagem, de David, mas apesar do seu sangue real exercia a modesta profissão de carpinteiro. No Evangelho não aparece uma única palavra dita por ele. Manteve-se sempre no eloquente silêncio. Os evangelhos narram-nos o episódio em que José era ainda noivo-esposo de Maria, quando lhe apareceu em sonhos o anjo do Senhor a anunciar que Maria ia dar à luz um filho, pela ação e poder do Espírito Santo. José ainda pensa repudiá-l'A em segredo, porém não o fez, pois o anjo lhe explicou o mistério. Então José, homem previdente, justo, de oração, simples e humilde, decide aceitar os desígnios de Deus e aceitar a responsabilidade de educar aquele Menino, que não era um menino qualquer, mas sim o Filho de Deus.Quando surge a obrigatoriedade do recenseamento, José parte para Belém na companhia da sua esposa Maria. Aconteceu que se completaram ali os dias de Maria, e não tendo José conseguido encontrar melhor lugar que não uns anexos de uma hospedaria, a Mãe de Deus dá à luz o Menino em Belém. Depois do nascimento de Jesus, os pastores e os reis magos encontram José ao lado de Maria e do Menino. 
Após o nascimento do Menino, José volta em sonhos a ouvir a voz do anjo do Senhor que lhe diz que ele tem de partir para o Egito. E José cumpre a orientação do Anjo e leva Maria e Jesus para o Egito de forma a protegê-l'O das garras de Herodes que queria matá-l'O. Passados quarenta dias, tal como a lei judaica assim o definia, José acompanha a Esposa e o Filho ao templo de Jerusalém para apresentar o Menino ao Senhor e para que Maria fosse purificada. Aí encontram o velho Simeão e Ana e ficam admirados com as profecias dos dois anciãos. 
Depois da Apresentação do Menino no templo, José regressa coma sua família a Nazaré, onde «o Menino crescia e robustecia-se, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele». (Lc 2, 40). O último momento em que o evangelista faz referência a José é quando ele, acompanhado de Maria e Jesus, subiram até Jerusalém numa ocasião de festa, quando Jesus tinha 12 anos. Quando as celebrações terminaram e chegados ao momento de regressarem a casa, ambos se deram conta de que Jesus não os acompanhava. Voltaram para trás e incansavelmente buscaram Jesus. Foram encontrá-l'O no templo, sentado entre os doutores da Lei, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. «Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas». (Lc 2, 47) Maria e José ficaram assombrados quando o encontraram e Maria acabou por censurar Jesus, por ter aí ficado, ao que Jesus lhe respondeu: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 49). Depois deste episódio Jesus acompanhou-os a Nazaré e o evangelista narra-nos que Jesus lhes era submisso. «Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens».» (Lc 2, 51).
Os evangelistas voltam a fazer-lhe referência num outro episódio unicamente para dizerem que Jesus era «como se supunha» «filho de José» (Lc 3, 23) ou num outro lugar «não é este o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55). Supõe-se que José terá morrido antes de Jesus.

O culto de José, nos primeiros séculos da era cristã, passou praticamente despercebido. Mas os Padres da Igreja foram os que enalteceram as suas virtudes e a sua nobreza de caráter. Daí que o seu culto teve primeiro origem no Oriente e só mais tarde é que chegou ao Ocidente. Foi declarado por Pio IX padroeiro da Igreja universal. Pio XII em 1955 estabeleceu a festa de S. José operário no dia 1 de maio.

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