domingo, 23 de dezembro de 2012

Cosmogonia de Natal

«És Água no que a Terra tem de Fogo
És Fogo  és Ar  na Terra já sem peso

És os Quatro Elementos que tão pronto
irrompem do mistério do Teu berço»

David Mourão-Ferreira, Obra Poética.

Um Santo Natal

A todas as visitas amigas a este blogue desejo um Santo Natal e que no nosso coração nasça a Esperança que alimentará cada momento da nossa existência.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Evangelho do dia

Primeiro livro de Samuel 1, 24-28; Lucas 1, 46-56

Naqueles dias Ana tomou Samuel consigo e, levando um novilho de três anos, três medidas de farinha e um odre de vinho, conduziu-o à casa do Senhor, em Silo. O menino era muito pequeno. Imolaram o novilho e apresentaram o menino a Heli. Ana disse-lhe: «Ouve, meu senhor. Por tua vida, eu sou aquela mulher que esteve aqui orando ao Senhor na tua presença. Eis o menino por quem orei: o Senhor ouviu a minha súplica. Por isso também eu o ofereço para que seja consagrado ao Senhor todos os dias da sua vida.» E adoraram o Senhor. (1Sam 1, 24-28)

Naquele tempo, Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador. Porque pôs os olhos na sua humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre.» Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa. (Lc 1, 46-56)

Maria não se limitou a exaltar e cantar louvores a Deus, ficou também a auxiliar Isabel, servindo-a, ajudando-a. 
Dos lábios da figura mais excelsa do Advento, Maria, saiu o Magnificat, uma das mais belas e profundas orações que merece que meditemos hoje e sempre em cada uma das palavras.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Evangelho do dia

Eis a voz do meu amado! Ele aí vem, transpondo os montes, saltando entre as colina. O meu amado é semelhante a uma gazela ou ao filhinho da corça. Ei-lo detrás do nosso muro, a olhar pela janela, a espreitar através das grades. O meu amado ergue a voz e diz-me: «Levanta-te minha amada, formosa minha, e vem. Já passou o inverno, já se foram e cessaram as chuvas. Desabrocharam as flores sobre a terra; chegou o tempo das canções e já se ouve nos nossos campos a voz da rola. Na figueira começam a brotar os primeiros figos e a vinha em flor exala o seu perfume. levanta-te, minha formada, formosa minha, e vem. Minha pomba, escondida nas fendas dos rochedos, ao abrigo das encostas escarpadas, mostra-me o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz. A tua voz é suave e o teu rosto é encantador. (Cântico dos Cânticos 2, 8-14)

Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração. filha de Jerusalém. O Senhor revogou a sentença que te condenava, afastou os teus inimigos. O Senhor, Deus de Israel, está no meio de ti e já não temerás nenhum mal. naquele dia, dir-se-á a Jerusalém: «Não temas, Sião, não desfaleçam as tuas mãos. O Senhor teu Deus está no meio de ti, como poderoso salvador. Por causa de ti, Ele enche-se de júbilo, renova-te com o seu amor, exulta de alegria por tua causa, como nos dias de festa.» (Sofonias 3, 14-18a)

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor.» Maria disse então: «A minha alma enaltece o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador.» (Lucas 1, 39-45)


O Senhor está no meio de ti, no meio de nós, fez um connosco, por isso devemos clamar de júbilo, exultarmo-nos, rejubilar. Já não há motivos para dúvidas, tristezas, angústias ou medos. Ele é a fonte da nossa alegria, da nossa esperança. Saibamos acolhê-l'O com fé, com amor, com muita paixão interior.

Maria apressa-se a subir a montanha para ir ao encontro da prima Isabel. Aqui está um ato de grande caridade por parte de Maria, independentemente do seu estado, e de naquele tempo as deslocações serem muito difíceis e morosas e, muitas vezes, perigosas, Maria não temeu, não se amedrontou. Apenas teve uma intenção: auxiliar a sua prima que estava nos últimos dias de gravidez. Que grande ato de caridade, de generosidade, que grande ato de fé no Senhor: «a minha alma enaltece o Senhor, e o meu espírito exulta em Deus, meu Salvador». Aprendamos de Maria a enaltecer a nossa alma no Senhor e que o nosso espírito exulte em Deus não apenas nesta quadra tão especial a todos os cristãos, mas sim todos os dias da nossa vida. Por isso, peçamos com perseverança a Maria que nos ensine a imitá-l'A no Seu amor e entrega a Deus, na generosidade e caridade, na oração.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Evangelho do dia


Isaías 7, 10-14; Lucas 1, 26-38

Naqueles dias, o Senhor mandou o rei Acaz a seguinte mensagem: «Pede um sinal ao Senhor teu Deus, quer nas profundezas do abismo, quer lá de cima nas alturas.» Acaz respondeu: «Não pedirei, não porei o Senhor à prova.» Então Isaías disse: «Escutai, casa de David: Não vos basta que andeis a molestar os homens para quererdes também molestar o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel.» (Is 7, 10-14)

Naquele tempo, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, que era descendente de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse o anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste a graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará um trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível.» Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.» (Lc 1, 26-38)

Preparemos o nascimento do Senhor, de Emanuel, isto é, do Deus connosco. Aquele que tomou a nossa condição humana e está sempre connosco, vivo e glorioso até à eternidade. 
O sim de Maria, o seu caminho de fé e confiança no Senhor, é também um convite a nós, para que o sigamos. Imitemos Maria de modo que Deus possa resplandecer em nós em cada gesto, em cada ação, em cada atitude; deixemo-nos transformar e assim dissipamos as trevas, as dúvidas, os erros, os preconceitos e as incertezas. Com Maria aprendemos o segredo da vida interior, do recolhimento em Deus. Ao longo do dia quantas vezes nos servimos de palavras vazias de conteúdo, nos dispersamos com frivolidades,  nos cansamos com ocupações inúteis. Nestes últimos dias do Advento, reservemos alguns minutos do nosso dia e façamos silêncio dentro do nosso ser e meditemos em Maria e na Sua entrega total e plena a Deus.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Anunciação

«"Se conhecesses o dom de Deus..." Há uma criatura que conheceu esse dom de Deus, uma criatura que não perdeu sequer uma parcela dele, uma criatura que foi pura, tão luminosa, que parece ser a própria Luz. Uma criatura cuja vida foi tão simples, tão perdida em Deus, que quase nada se pode dizer dela. É a Virgem fiel, "aquela que guardava todas as coisas no seu coração» (Lc 2, 19 e 51). Mantinha-se tão pequena, tão recolhida em face de Deus, no segredo do templo, que atraía as complacências da Santíssima Trindade: "Porque Ele olhou para a humildade da sua serva, doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada!..." (Lc 1, 48) O Pai, inclinando-se para esta criatura tão bela, tão ignorante da sua beleza, quis que fosse a Mãe, no tempo, d'Aquele de quem Ele é o pai na eternidade. Então, o Espírito de Amor, que preside a todas as operações de Deus, sobreveio-lhe; e a Virgem diz o seu fiat: "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra" (Lc 1, 38), e assim se realizou o maior dos mistérios. E, pela decida do Verbo nela, Maria ficou para sempre a cativa de Deus.
(...) A atitude da Virgem, durante os meses que decorreram entre a Anunciação e o Natal, é o modelo das almas interiores, dos seres que Deus escolheu para viverem de dentro, no fundo do abismo sem fundo. Com que paz, em que recolhimento, Maria se entregava e se prestava a todas as coisas! Como é que mesmo as mais banais eram por ela divinizadas! Porque, em tudo, a Virgem permanecia a adoradora do dom de Deus!» (Isabel da Trindade, «O Céu na Terra», 10, Obras Completas)

Evangelho do dia

Jeremias 23, 5-8; Mateus 1, 18-24
«Dias virão» -- diz o Senhor -- «em que farei surgir para David um rebento justo. Será um verdadeiro rei e governará com sabedoria: há de exercer no país o direito e a justiça. Nos seus dias, Judá será salvo e Israel viverá em segurança. Este será o seu nome: "O Senhor é a nossa justiça." Por isso, dias virão -- oráculo do Senhor -- em que já não se dirá: "Vive o Senhor, que fez sair os filhos de Israel da terra do Egito"; mas sim: "Vive o Senhor, que fez sair e regressar os descendentes da casa de Israel da região do norte e de todos os países em que os tinha dispersado, para poderem habitar na sua própria terra"» (Jer 23, 5-8)

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua mãe, noiva de José, antes de ter vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, pois Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: « A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado "Emanuel", que quer dizer "Deus connosco".» Quando despertou do sono, José fez o que o anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu a sua esposa. (Mt 1, 18-24)

Na primeira leitura deste dia, o profeta Jeremias fala-nos de um rebento justo que será um verdadeiro rei. Este rebento é o Messias, Jesus, que vem estabelecer um reino de paz e de justiça, de amor e de vida. Um reino sem guerras, sem injustiças, um reino de amor. Este Menino vem implantar no coração de cada um de nós a paz, a fraternidade, a amizade e a solidariedade. Por isso, deixemos de lado os nossos medos e as nossas indecisões, as nossas desconfianças e abramos o nosso coração a este Menino.
Isaías já profetizava que uma Virgem daria à luz um Salvador. E é em Maria que se realiza esta maravilhosa profecia. Aceitar a virgindade de Maria é um ato de fé. José viveu alguns momentos atormentado pela dúvida, mas eis que chega o anjo do Senhor e faz com que ele «desperte», e José deixou de duvidar e acreditou. Então a partir desse momento todas as suas dúvidas e incertezas desapareceram. E o milagre aconteceu: graças a Maria o Salvador, «o Deus connosco», habitou entre nós; põe-se entre nós. Jesus, Filho de Deus, ao fazer-Se nosso Irmão, deu-nos a graça de sermos nós também filhos de Deus. 

«Assombro e louvor, Senhor, enchem hoje o nosso coração,
como o de José, perante o mistério do Deus connosco.

Na nossa prece, Senhor, queremos pedir-te hoje
por todos aqueles a quem chamas, como a São José,
para te servir na Igreja, atendendo os irmãos;
pelos pais para que recebam os filhos como um dom teu;
por cada um de nós, para que cumpramos fielmente
a missão que nos confias. Assim nascerá Cristo cada dia
na nossa vida, família, ambiente e comunidade,
como sinal claro do teu amor imenso de Pai
e da tua presença perene entre nós teus filhos. Ámen.» B. Caballero, A Palavra de cada Dia

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Façamos um presépio dentro de nós...

«O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.» (João, 1, 9.11-12)

Deus ao fazer-se pequenino, igual a nós em tudo exceto no pecado, ficou exposto à dor e passou a conhecer  e compreender totalmente as nossas debilidades, as nossas fraquezas e as nossas tentações. Ele é nosso irmão e sabe como é difícil para nós resistirmos ao mundo do consumo, da frivolidade, das riquezas terrestres. Apenas com o auxílio d'Ele é que somos capazes de ultrapassar os obstáculos que nos afastam do Caminho, do caminho que nos leva ao centro, que é Jesus. Porque só nesse centro, só em Jesus, é que nos sentimos libertos, os nossos medos e as nossas angústias desaparecem. Nestes últimos dias do Advento, comecemos a construir o nosso presépio interior. Comecemos a limpar as teias de aranha do nosso coração, varrer para bem longe a inveja, a raiva e os ódios mesquinhos. Preparemos algumas prendas para oferecer ao Menino, nosso Irmão, contribuindo, ainda que com muito pouco, para os que ainda têm menos do que nós. Façamos ao longo do dia alguns momentos de silêncio no nosso coração e meditemos neste grandioso nascimento, enquanto Lhe apresentamos as nossas fraquezas, as nossas dores e mágoas e também as nossas alegrias. Jesus, como Se fez nosso Irmão, rejubila connosco quando estamos felizes e sofre connosco quando estamos tristes. Nós é que muitas vezes, quiçá a maior parte das vezes, nos esquecemos disto.

Vem!

«Ó Verdade, luz do meu coração; não me falem nas minhas trevas! Inclinei-me para elas e fiquei às escuras; mas, a partir delas, amei-te com paixão. Pequei e lembrei-me de Ti. Ouvi a Tua voz atrás de mim para que regressasse, mal a ouvi pelo tumulto dos sem-paz. Mas eis que agora, abrasado e ansioso, regresso à Tua fonte. Ninguém mo proíba, para que beba e vive nela. Não seja eu a minha vida, pois, por mim, vivi mal; fui morte para mim mesmo. Em Ti começo a viver.
Senhor, tenho sede. Fonte de vida, saciai-me... Vem, Senhor, não tardes. Vem, Senhor Jesus! Vem visitar-nos na paz. Vem e liberta este prisioneiro do cárcere para que, com todo o coração, nos alegremos diante de Ti. Vem, nosso Salvador; vem, desejado de todos os povos... Mostra-nos o Teu rosto e seremos salvos.» (Santo Agostinho, Confissões)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Evangelho do dia

Isaías 41, 13-20; Mateus 11, 11-15
«Sou Eu, o Senhor, teu Deus, que te seguro pela mão direita e te digo: "Não temas, Eu venho em teu auxílio". Não temas, pobre verme de Jacob, bichinho de Israel. Eu venho socorrer-te -- oráculo do Senhor --, o teu redentor é o Santo de Israel. Eu te converterei em trilho aguçado, novo e bem cortante; calcarás e triturarás os montes e transformarás em palha as colinas. Hás de joeirá-los e o vento os levará, o vendaval os dispersará. Mas tu exultarás no Senhor e te gloriarás no Santo de Israel. Os infelizes e os pobres buscam água e não a encontram e a sua língua está ressequida pela sede. Eu, o Senhor, os atenderei, Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. farei brotar rios nos montes escalvados e fontes por entre os vales. Transformarei o deserto em lago e a terra seca em nascentes de água. No deserto farei crescer o cedro, a acácia, a murta e a oliveira; na estepe plantarei o cipreste, o olmo e o pinheiro, para que todos vejam e saibam, considerem e compreendam que a mão do Senhor fez estas coisas, que o Santo de Israel as realizou.»(Is 41, 13-20)

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o mais pequeno no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, O Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos oiça.» (Mt 11, 11-15)

A grandeza das pessoas não lhe vem pelo dinheiro, poder, força, mas sim pela humildade, pelas ações, pela caridade, solidariedade, pelo dar-se. É isto a Palavra de hoje nos quer dizer. Os violentos são os de força de espírito, os de coração generoso, os que gostam mais de dar gratuitamente do que receber. 
O Evangelho de hoje exorta-nos à violência, não no verdadeiro conceito evidentemente, mas sim para termos força interior, para sermos violentos com nós mesmos no sentido de quebrar as amarras que nos prendem, nos escravizam: dinheiro, trabalho, egoísmos, ciúmes, avareza, comodismos. Encetamos uma luta «feroz» para derrubar os obstáculos, as dificuldades que impedem de nos aproximar de Jesus, de forma que a nossa sede fique saciada, a nossa alma curada, sem nunca perder de vista que Deus é misericordioso e compassivo, paciente e cheio de bondade, e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Salmo 102 (103)

Salmo 102 (103)

Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.

Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.
Enche de bens a tua existência
e te rejuvenesce como a águia.

O Senhor faz justiça
e defende o direito de todos os oprimidos.
Revelou a Moisés os seus caminhos
e aos filhos de Israel os seus prodígios.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Não está sempre a repreender,
nem guarda ressentimento.
Não nos tratou segundo os nossos pecados,
nem nos castigou segundo as nossas culpas.

Como a distância da terra aos céus,
assim é grande a misericórdia para os que O temem.
Como o Oriente dista do Ocidente,
assim Ele afasta de nós os nossos pecados.
Como um pai se compadece de seus filhos,
assim o Senhor Se compadece dos que O temem.

Ele sabe de que somos formados
e não se esquece que somos pó da terra.
Os dias do homem são como o feno:
ele desabrocha como a flor do campo,
mal sopra o vento desaparece
e não mais se conhece o seu lugar.

A bondade do Senhor permanece eternamente
sobre aqueles que O temem,
e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,
sobre aqueles que guardam a sua aliança
e se lembram de cumprir os seus preceitos.
O Senhor fixou no céu o seu trono
e o seu reino estende-se sobre o universo.

Bendizei o Senhor, todos os seus anjos,
poderosos executores das suas ordens,
sempre atentos à sua palavra.
Bendizei o Senhor, todos os seus exércitos,
que estais ao seu serviço
e executais a sua vontade.
Bendizei o Senhor, todas as suas obras,
em todos os lugares do seu domínio.
bendiz, ó minha alma, o Senhor.

«Cada um de nós incite, exorte a sua alma, com estas palavras: Bendiz, ó minha alma, o Senhor. E todos nós, juntamente com os que, por toda a parte, são irmãos em Cristo, como um só homem, cuja cabeça está no céu, exortemos a alma deste homem único, dizendo-lhe: Bendiz, ó alma, o Senhor. (...) Estou à sua porta como um mendigo; não dorme Aquele que eu invoco. Ao rezares não O incomodas, como se Ele estivesse a dormir. Não há de dormir nem adormecer Aquele que guarda Israel. Portanto, Ele não dorme, mas tu tem cuidado, para que não durma a tua fé. Quando serei saciado?» (Santo Agostinho, Comentários aos Salmos)

Evangelho do dia

Isaías 40, 25-31; Mateus 11, 28-30
«A quem Me compareis que seja semelhante a Mim? -- diz o Deus Santo. -- Erguei os olhos para o alto e olhai. Quem criou estas estrelas? Aquele que as conta e as faz marchar como um exército e as chama a todas pelos seus nomes. Tal é a sua força  e tão grande é o seu poder que nenhuma falta à chamada. Jacob, porque dizes; Israel, porque afirmas: " O meu destino está oculto ao Senhor e a minha causa passa despercebida ao meu Deus"? Não o sabes, não o ouvistes dizer? O Senhor é um Deus eterno, criador da terra até aos seus confins. Ele não Se cansa nem Se fatiga e a sua inteligência é insondável. Dá força ao que anda exausto e vigor ao que anda enfraquecido. Os jovens cansam-se e fatigam-se e os adultos tropeçam e vacilam. Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, formam asas como as águias. Correm sem se fatigarem, caminham sem se cansarem.» (Is 40, 25-31)

Naquele tempo, Jesus exclamou: « Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jogo é suave e a minha carga é leve.» (Mt 11, 28-30)

Que grande alívio para nós termos tão grande apoio nos momentos desagradáveis da nossa existência, porque os que confiam no Senhor renovam as suas forças, «ganham asas como as águias» e voam alto, tão alto até encontrar Deus e viver com Ele uma intimidade mais profunda e mais rica. Quem se apoia no Senhor sabe que pode contar com a Sua amizade, sabe que Ele nos irá dar força, não nos deixa tropeçar nem vacilar. E Jesus faz-nos um convite amoroso: irmos tem com Ele, procurá-l'O, buscá-l'O todos os que estamos cansados e oprimidos. E como é sedutor saber que, quando a Ele recorremos e n'Ele depositamos o nosso destino, a nossa esperança, encontraremos descanso para a nossa alma, encontraremos paz, serenidade e consolação. Sejamos ousados, aceitemos o convite de Jesus e caminhemos em direção a Ele e aprendamos com Ele, Mestre divino.

Tantas e tantas vezes, Senhor, sei e conheço o teu convite amoroso, e não o sigo por preguiça, por andar demasiado ocupada com as minhas tarefas, por medo, indecisão, fraqueza. Mas em muitos momentos do meu dia a dia eu recorro a ti, para que me dês forças, para que me ajudes a colocar no meu coração a confiança total em ti e em Deus Pai, de forma a dar-Vos o meu sim com determinação e amor, para nunca mais voltar atrás, porque são tantos os avanços e recuos da minha parte... 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Segundo Domingo do Advento

Baruc 5, 1-9; Filipenses 1, 4-6.8-11; Lucas 3, 1-6

«Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas» (Lc 3,4)
Na primeira leitura deste segundo domingo do Advento, o profeta Baruc convida-nos à alegria, porque se aproxima o dia da salvação. E São Paulo na sua carta aos Filipenses insiste na necessidade de nos purificarmos para nos prepararmos para a vinda do Senhor. O Evangelho segundo Lucas apresenta-nos o precursor de Jesus, João Batista, uma voz que brada do deserto e nos exorta a prepararmos o caminho porque toda a criatura verá a salvação de Deus.

«Ó Senhor, não me glorio das minhas obras... não louvo as obras das minhas mãos; tenho receio de que, se Tu as examinas, nelas encontrarás mais pecados do que merecimentos. Só peço uma coisa e esta espero alcançar: não desprezeis as obras das vossas mãos.
Contempla em mim a tua obra e não a minha, porque, se olhares para a minha, terás de condenar-me; mas se olhas para a tua, salvar-me-ás. Na verdade, o que de bom existe em mim, tudo vem de Ti e é teu mais do que meu... Fui salvo gratuitamente pela fé e não por meu merecimento, mas sim pela tua generosidade; não pelas minhas obras, para que, deste modo não tenha motivo para me envaidecer. Sou tua criatura, formado na tua graça, juntamente com as minhas boas obras.» (Santo Agostinho)

«Por teu intermédio podemos aproximar-nos do teu Filho, ó Virgem bendita que encontraste a graça, ó Mãe da vida, Mãe da saúde, para que, por Ti, nos receba aquele que por ti nos foi dado.
A tua integridade desculpe, diante d'Ele, as culpas da nossa corrupção e a tua humildade, tão desagradável a Deus, nos obtenha o perdão para a nossa vaidade.
A tua grande caridade apague a multidão dos nossos pecados e a tua gloriosa fecundidade nos conceda a fecundidade das obras obras.
Nossa Senhor, nossa medianeira e advogada, reconciliai-nos com o teu Filho, encomenda-nos ao teu Filho, apresenta-nos ao teu Filho.
Pela graça que achaste diante de Deus, pelo privilégio que mereceste, pela misericórdia que deste à luz, faz com que Aquele que por meio de ti se dignou fazer participantes da nossa enfermidade e miséria, pela sua intercessão, nos faça participantes da Sua glória e bem-aventurança.» (São Bernardo, Adventu Domini)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Salmo 26 (27)


O Senhor é a minha luz e salvação:
a quem hei de temer?
O Senhor é protetor da minha vida:
de quem hei de ter medo?

Quando os malvados me assaltaram,
para devorar a minha carne,
foram eles, meus inimigos e adversários,
que vacilaram e caíram.

Se um exército me vier cercar,
o meu coração não temerá.
Se contra mim travarem batalha,
mesmo assim terei confiança.

Uma coisa peço aos Senhor, por ela anseio:
habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para gozar da suavidade do Senhor
e visitar o seu santuário.

No dia da desgraça,
Ele me esconderá na sua tenda,
ocultar-me-á sobre um rochedo.

Agora minha cabeça se levanta
acima dos inimigos que me rodeiam.
Oferecerei no santuário sacrifícios de louvor,
com cânticos e salmos ao Senhor.

Ouvi, Senhor, a voz da minha súplica,
tende compaixão de mim e atendei-me.
Diz-me o coração:
«Procurai a sua face».

A vossa face, Senhor, eu procuro:
não escondais de mim o vosso rosto,
nem afasteis com ira o vosso servo.
Vós sois o meu refúgio.

Não me rejeiteis nem me abandoneis,
ó Deus, meu Salvador.
Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem,
o Senhor me acolherá.

Mostrai-me, Senhor, o vosso caminho
e condozi-ma por sendas planas,
por causa dos meus inimigos.
Não me entrgueis ao ódio dos meus adversários,
pois contra mim se levantaram testemunhas falsas,
que respiram violência.

Espero vir a contemplar a bondade do Senhor,
na terra dos vivos.
Confia no Senhor, sê forte.
Tem coragem e confia no Senhor.

Evangelho do dia

Isaías 29, 17-24; Mateus 9, 27-31
Assim fala o Senhor Deus: Daqui a muito pouco tempo, não há de o Líbano transformar-se num jardim parecer uma floresta? Nesse dia, os surdos ouvirão ler as palavras do livro; libertos da escuridão e das trevas, os olhos dos cegos tornarão a ver. Os humildes alegrar-se-ão cada vez mais no Senhor e os mais pobres dos homens rejubilarão no Santo de Israel. O tirano deixará de existir, o escarnecedor desaparecerá e serão exterminados os que só pensam no mal: aqueles que fazem condenar os outros pelas suas palavras, os que armam ciladas no tribunal a quem promete a justiça e sem razão arruínam o justo. Por isso, o Senhor, que libertou Abraão, assim fala à casa de Jacob: «Doravante Jacob não terá de se envergonhar, o seu rosto não voltará  a empalidecer, porque, ao verem no meio dele os seus filhos, obras das minhas mãos, proclamarão santo o meu nome.» Proclamarão a santidade do Santo de Jacob e temerão o Deus de Israel. Os espíritos desnorteados aprenderão a sabedoria e os murmuradores hão de aceitar a instrução.(Is 29 17-24)

Naquele tempo, Jesus pôs-se a caminho e seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem piedade de nós.» Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele. Jesus perguntou-lhes: «Acreditais que posso fazer o que pedis?» Eles responderam:«Acreditamos, Senhor.» Então Jesus tocou-lhes nos olhos e disse: «Seja feito segundo a vossa fé.» E abriram-se os seus olhos. Jesus advertiu-os, dizendo: «Tende cuidado, para que ninguém o saiba.» mas eles, quando saíram, divulgaram a fama de Jesus por toda aquela terra. (Mt 9 27-31)

A profecia de Isaías completou-se plenamente na vinda de Jesus.As curas da cegueira, da surdez, etc. são símbolos da grande cura que Deus quer fazer em nós. Ele quer-nos curar de todos os nossos males, os nossos pecados e libertar-nos da escuridão e levar-nos para a luz. Então aí haverá grande festa, jardins floridos. O grito dos dois cegos «Filho de David, tem piedade de nós» pungente e demonstrador de confiança está permanentemente atual, especialmente neste tempo do Advento que é período de renovada aspiração à santidade e à salvação.
Cada um de nós tem momentos e zonas de cegueira dentro de si. Quantas vezes não somos capazes de ver o que Deus pretende de nós; somos incapazes de ler o que vai dentro do nosso coração; qual o caminho a seguir. Todos somos cegos e necessitamos de dizer continuamente: «Filho de David, tem piedade de mim.». Só Deus é capaz de iluminar o nosso coração. E sabemos que muitas vezes há recantos do nosso coração que ainda se mantêm na sombra, nas trevas. Daí que devemos diariamente implorar a Sua misericórdia para que Ele possa iluminar a nossa existência; pedir-Lhe com fé e confiança que nos ajude a ver o bem e a afastar-nos do mal; a entender a Sua vontade e a seguir o caminho que é mais do Seu agrado.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Evangelho do dia

Isaías 26, 1-6; Mateus 7, 21.24-27
Naquele dia, cantarão este hino na terra de Judá: «Nós temos uma cidade forte; muralhas e fortificações foram postas para nos proteger. Abri as portas para que entre um povo justo, um povo que pratica a fidelidade. O seu coração está firme: dar-lhe-eis a paz, porque em Vós tem confiança.» Confiai sempre no Senhor, porque o Senhor é a nossa fortaleza eterna. Humilhou os habitantes das alturas, abateu a cidade inacessível, derrubou-a por terra, arrasou-a até ao solo. Ela é calcada aos pés, os pés dos infelizes, os passos dos pobres. (Is 26, 1-6)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que me diz "Senhor, Senhor" entrará no reino dos Céus. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína.» (Mt 7, 21.24-27)

O Senhor é a nossa fortaleza eterna, o Senhor traz-nos paz e tranquilidade à nossa vida e à nossa alma, felicidade e alegria. Alegremo-nos, pois, porque Ele vem aí. Abrir as portas do nosso coração e esperar o Seu nascimento num cantinho mais recôndito no nosso ser, dá-nos esperança e nunca nos deixa desanimados.
O Senhor é a nossa rocha, aquela onde vamos construir a nossa morada, porque se assim fizermos temos a certeza de que ventos, tempestades, não a destruirão. Temos de escutar a Palavra e pô-la em prática com obras, atitudes e comportamentos. Deixemos de parte os nossos egoísmos, as nossas fraquezas, as nossas invejas e ódios comezinhos. Sigamos o melhor possível os ensinamentos de Jesus que sempre viveu em todas as circunstâncias da vida a vontade do Pai, com um coração filial. Veio para o meio de nós, porque o Pai assim o quis. E seguiu tanto a vontade do Pai que até se ofereceu para sofrer sobre a Cruz, apenas para nos dar vida, dar-nos a salvação.
Meditemos neste dia nas palavras de Santa Teresa de Jesus: «Claro está que a suma perfeição não consiste em regalos interiores, nem em grandes arroubamentos, nem em visões, nem em espírito de profecia, mas ter a nossa vontade tão conforme com a de Deus, que não entendamos Ele querer alguma coisa sem que a queiramos com toda a nossa vontade, e tomemos com a mesma alegria, tanto o saboroso como o amargo, como quer Sua Majestade.» (Fundações, 5,10)
Assim, o único caminho que devemos seguir é o indicado por Deus e para isso temos de nos abandonar plenamente à vontade de Deus e deixarmo-nos conduzir por Ele com toda a confiança e todo o amor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Palavras para sempre

«Amor descobre amor. E ainda que seja muito nos princípios e nós sejamos muito ruins, procuraremos ter isto sempre muito presente e animemo-nos a amar: porque se o Senhor nos concede uma vez a graça de imprimir este amor no coração, tudo se nos será mais fácil e sem trabalho. Que Sua Majestade no-lo conceda -- pois sabe que muito nos convém -- pelo amor que Ele nos tem e pelo Seu Filho glorioso, ámen». Santa Teresa de Jesus, Livro da Vida

Grandes figuras

São José é outra das grandes figuras do Advento e com ele temos muitas lições a aprender que nos ajudarão a viver com mais intensidade este período: silêncio, recolhimento, oração, adesão total à vontade de Deus, mesmo não compreendendo os caminhos por que Deus nos quer levar, amor a Maria e a Jesus.
José significa em hebraico «que Deus acrescente». Segundo o Evangelho, descendia de uma grande linhagem, de David, mas apesar do seu sangue real exercia a modesta profissão de carpinteiro. No Evangelho não aparece uma única palavra dita por ele. Manteve-se sempre no eloquente silêncio. Os evangelhos narram-nos o episódio em que José era ainda noivo-esposo de Maria, quando lhe apareceu em sonhos o anjo do Senhor a anunciar que Maria ia dar à luz um filho, pela ação e poder do Espírito Santo. José ainda pensa repudiá-l'A em segredo, porém não o fez, pois o anjo lhe explicou o mistério. Então José, homem previdente, justo, de oração, simples e humilde, decide aceitar os desígnios de Deus e aceitar a responsabilidade de educar aquele Menino, que não era um menino qualquer, mas sim o Filho de Deus.Quando surge a obrigatoriedade do recenseamento, José parte para Belém na companhia da sua esposa Maria. Aconteceu que se completaram ali os dias de Maria, e não tendo José conseguido encontrar melhor lugar que não uns anexos de uma hospedaria, a Mãe de Deus dá à luz o Menino em Belém. Depois do nascimento de Jesus, os pastores e os reis magos encontram José ao lado de Maria e do Menino. 
Após o nascimento do Menino, José volta em sonhos a ouvir a voz do anjo do Senhor que lhe diz que ele tem de partir para o Egito. E José cumpre a orientação do Anjo e leva Maria e Jesus para o Egito de forma a protegê-l'O das garras de Herodes que queria matá-l'O. Passados quarenta dias, tal como a lei judaica assim o definia, José acompanha a Esposa e o Filho ao templo de Jerusalém para apresentar o Menino ao Senhor e para que Maria fosse purificada. Aí encontram o velho Simeão e Ana e ficam admirados com as profecias dos dois anciãos. 
Depois da Apresentação do Menino no templo, José regressa coma sua família a Nazaré, onde «o Menino crescia e robustecia-se, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava com ele». (Lc 2, 40). O último momento em que o evangelista faz referência a José é quando ele, acompanhado de Maria e Jesus, subiram até Jerusalém numa ocasião de festa, quando Jesus tinha 12 anos. Quando as celebrações terminaram e chegados ao momento de regressarem a casa, ambos se deram conta de que Jesus não os acompanhava. Voltaram para trás e incansavelmente buscaram Jesus. Foram encontrá-l'O no templo, sentado entre os doutores da Lei, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. «Todos quantos o ouviam, estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas». (Lc 2, 47) Maria e José ficaram assombrados quando o encontraram e Maria acabou por censurar Jesus, por ter aí ficado, ao que Jesus lhe respondeu: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 49). Depois deste episódio Jesus acompanhou-os a Nazaré e o evangelista narra-nos que Jesus lhes era submisso. «Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens».» (Lc 2, 51).
Os evangelistas voltam a fazer-lhe referência num outro episódio unicamente para dizerem que Jesus era «como se supunha» «filho de José» (Lc 3, 23) ou num outro lugar «não é este o filho do carpinteiro» (Mt 13, 55). Supõe-se que José terá morrido antes de Jesus.

O culto de José, nos primeiros séculos da era cristã, passou praticamente despercebido. Mas os Padres da Igreja foram os que enalteceram as suas virtudes e a sua nobreza de caráter. Daí que o seu culto teve primeiro origem no Oriente e só mais tarde é que chegou ao Ocidente. Foi declarado por Pio IX padroeiro da Igreja universal. Pio XII em 1955 estabeleceu a festa de S. José operário no dia 1 de maio.

Evangelho do dia

Isaías 25, 6-10a; Mateus 15, 29-37

Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos deliciosos: comida de boa gordura, vinhos puríssimos. Sobre este monte, há de tirar o véu que cobria todos os povos, o pano que envolvia todas as nações; Ele destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo. Porque o Senhor falou. Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; é o Senhor, em quem pusemos a nossa confiança. Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão de Senhor pousará sobre este monte. (Is 25, 6-10a)

Naquele tempo, foi Jesus para junto do mar da Galileia e, subindo ao monte sentou-se. Veio ter com Ele uma grande multidão, trazendo coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros, que lançavam a seus pés. Ele curou-os, de modo que a multidão ficou admirada, ao ver os mudos a falar, os aleijados a ficar sãos, os coxos a andar e os cegos a ver; e todos davam glória ao Deus de Israel. Então Jesus, chamando a si os discípulos, disse-lhes: «Tenho pena desta multidão, porque há três dias que estão comigo e não têm que comer. Mas não quero despedi-los em jejum, pois receio que desfaleçam no caminho.» Disseram-lhes os discípulos: «Onde iremos buscar, num deserto, pães suficientes para saciar tão grande multidão?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes?» Eles responderam-lhes: « Sete, e alguns peixes pequenos.» Jesus ordenou então às pessoas que se sentassem no chão. Depois tomou os sete pães e os peixes e, dando graças, partiu-os e foi-os entregando aos discípulos e os discípulos distribuíram-nos pela multidão. Todos comeram até ficarem saciados com os pedaços que sobraram encheram sete cestos. (Mt 15, 29-37)

«Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação»! É este o grito profético de Isaías e o que devemos reviver neste período do Advento. Com esperança, ansiedade, amor, vigilância e penitência esperamos a vinda do nosso Salvador, o nosso Messias, o nosso Redentor para participarmos no «banquete de manjares suculentos», em que o Senhor aniquilará a morte para sempre e «enxugará as lágrimas de todas as faces», porque Deus é a felicidade e a plenitude do ser humano.
Tantas e tantas vezes procuramos até á exaustão uma felicidade em coisas efémeras e, muitas vezes, procuramos essa felicidade nas pessoas. Eis que o Evangelho nos mostra um Jesus preocupado e amigo com a multidão que há já três dias não come. E Jesus providencia o alimento para toda a multidão com a multiplicação dos pães e dos peixes. Ele é o único que pode saciar a nossa fome; Ele é o único que nos dá felicidade; Ele é o único que preenche o nosso coração, e o torna livre, nos permite uma liberdade interior sem limites.
Todos nós padecemos de alguma ou várias maleitas aos olhos amorosos de Deus. Neste Advento, apresentemos a Deus a nossa doença, para que Ele com a sua infinita misericórdia nos cure do nosso mal e nos sacie a nossa fome. Quando nos sentimos doentes, vamos logo a um médico para ficarmos curados. Então desloquemo-nos até à casa de tão Ilustre Médico, do único que cura todos os nossos males, e peçamo-Lhe que com a Sua infinita bondade e amor nos cure os nossos males.
Jesus ensina-nos a partilhar os pães com uma multidão sofredora e faminta. Neste momento de crise, aprendamos com Jesus a fazer uma multiplicação de solidariedade, fraternidade com todos os que estão neste momento a sofrer. Partilhemos o nosso pão, por muito pouco que seja, com os outros.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O tempo



«Deus pede estrita conta do meu tempo,
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Ah, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão como eu o não ter tempo...»

Frei António das Chagas, frade franciscano.

Deambulações em redor de Abraão


Hoje em dia, ninguém se detém na fé, vai-se mais longe. Isto antigamente não acontecia. A fé, nos séculos bem anteriores ao nosso, era um compromisso que era aceite para toda a vida. Perante este pensamento, despertou em mim a curiosidade de «deambular» por algumas histórias descritas na Bíblia. Uma delas, pela sua natureza, levantou a minha curiosidade e fez-me meditar nos seus contornos. A esta meditação, que irei partilhar convosco, chamei-lhe «Deambulações em redor de Abraão».

Abraão (o pai ama) é considerado o pai da fé. É o primeiro dos antepassados de Israel e encarna em si todas as virtudes e defeitos de um povo. Inicialmente chamava-se Abrão e sua mulher Sarai. Sempre foi apresentado como o pai de Israel, o homem obediente, o homem temente a Deus, o observante da lei.

Da cidade de Ur, na Caldeia, partiu a família de Tera, pai de Abrão, em direção a Haran. Permaneceram aqui até à morte de Tera. Abrão recebe um chamamento, reuniu a sua família, os seus servos e todos os seus bens, e partem com destino a Canãa, atualmente a Palestina.
A mulher de Abrão, Sarai, era estéril e de muita idade. Apesar disso, um dia o mensageiro do Senhor anunciou a Abrão que Sarai ia dar à luz um filho seu, Isaac. Após o nascimento de Isaac, Abrão e Sarai viram os seus nomes serem alterados para Abraão e Sara.

É sobre o Génesis 22 que consiste a minha «deambulação». Deus pôs à prova Abraão. Chamou-o e ordenou-lhe que pegasse em seu filho muito amado, Isaac, e se dirigisse a Moriá, onde o iria oferecer em holocausto num local que posteriormente Deus lhe indicaria.
Na manhã do dia seguinte, Abraão aparelhou o jumento, chamou dois servos que os acompanhariam na jornada e com o seu filho partiram em direção a Moriá. Caminharam durante três dias. Ao terceiro dia Abraão avista Moriá. Dá indicação aos servos para que fiquem de guarda enquanto ele e o filho vão a um lugar para orar. Abraão pega na lenha, que vai ser usada para o holocausto, e entrega-a ao seu filho. Segurando com uma mão o fogo e na outra o cutelo, juntos iniciaram a subida do monte. 
Isaac quase que adivinhou o seu destino, uma vez que referiu que levavam todos os artefactos para um holocausto, mas não avistava qualquer animal. Ao que Abraão respondeu: «Deus proverá quanto à vítima para o holocausto, meu filho.»
Por fim chegaram ao sítio indicado por Deus, e Abraão construiu um altar, dispôs a lenha e prendeu Isaac, colocou-o sobre o altar, por cima dos toros. Agarrou no cutelo e preparou-se para degolar o filho. Naquele preciso momento, ouviu-se a voz do mensageiro do Senhor evitando assim Abraão de degolar o filho: «Não levantes a mão sobre o menino e não lhe faças mal algum, porque sei agora que, na verdade, temes a Deus, visto não me teres recusado o teu filho único.» Depois de proferidas estas palavras, Abrãao ergueu o olhar e avistou um carneiro preso a um silvado. Foi buscá-lo em substituição do seu filho.

A ordem de Deus a Abraão foi feita na véspera da partida. Será que Abraão contou a Sara o que Deus lhe havia pedido? Será que Sara suspeitou de alguma coisa, de alguma perturbação do marido, no caso de este lhe ter ocultado o pedido de Deus? Como é que Abraão enfrentou as horas que anteciparam o início da jornada? E como é que Abraão conseguiu disfarçar a sua angústia durante aqueles três dias de viagem? Como é que ele se sentiu sempre que olhava para o rosto do seu amado filho? Quais teriam sido os pensamentos que ocorreram a Abraão? Se o Senhor lhe tinha dado um filho, quase no ocaso da vida e sendo a mulher estéril, como é que agora Ele lhe pedia um tal sacrifício? O Eleito de Deus ia sofrer uma das maiores provações. Como fora isto possível? Deus punha à prova Abraão. Apesar da angústia, do desespero, Abraão não vacilou e meteu pés ao caminho.
Acreditou sem jamais duvidar. Acreditou no absurdo.
Se assim não tivesse sido, Abraão podia ter partido, levado na mesma o seu filho, preparado o altar e no último momento, enterraria o cutelo em si próprio. Ou então escolheria um dos servos e matá-lo-ia. Abraão também poderia ter duvidado, olhado em redor, empunhado o cutelo e avistado o cordeiro. E mal o avistasse, poderia tê-lo trocado pelo seu filho. Tudo isto mesmo antes de ser travado pelo mensageiro do Senhor. Porém, Abraão nada disto fez, mas sim  o que Deus lhe disse para fazer. E levou a ordem até ao fim porque sabia que era o pedido mais duro e que nenhum outro se lhe pode igualar. Não há sacrifício maior do que um pai matar o seu filho.
No episódio do Evangelho, do rapaz muito rico que gostaria de seguir Jesus, mas só não o fazia porque não era capaz de abrir mão da sua fortuna pode-se estabelecer uma comparação entre este jovem rico e Abraão. O que é o sacrifício de abandonar uma grande fortuna, por muito gigante que ela seja, quando comparado com o sacrifício de Abraão de matar o seu próprio filho muito amado? Não existe obrigação moral para com o dinheiro enquanto que um pai está ligado ao filho por um vínculo nobre e sagrado. Mais, se não fosse pela fé, tal ato poderia ser visto como um frio e calculado assassínio: os preparativos da viagem, a preparação da lenha, o cutelo, o fogo, o facto de ter deixado as testemunhas para trás... Mas não!
Abraão seguiu com o seu filho amado, subiu o monte e nunca, mas nunca em qualquer momento perdeu a fé. A fé que ele depositava em Deus. Acreditou sempre que Deus não o iria obrigar a levar a cabo tal sacrifício. Por isso Abraão, o homem digno, o homem piedoso e temente a Deus ser chamado eleito do Eterno. Acreditou no absurdo: ainda que matasse Isaac, Abraão acreditava que Deus o restituísse. E acreditou no absurdo, uma vez que todo o cálculo estava abandonado. E acreditar no absurdo é o mesmo que ter fé. No momento em tudo nos parece perdido, eis que há um golpe de face e Deus acaba por  resolver da maneira mais certa qualquer problema.

São João Batista

Uma outra Grande Figura do Advento é, sem dúvida, João Batista. É considerado o último profeta, o precursor do Messias. Seus pais eram Isabel, mulher estéril, e Zacarias, sacerdote do Templo. João nasceu graças à intervenção miraculosa de Deus, uma vez que os pais de João eram de idade avançada. Um dia, estava Zacarias no exercício das suas funções sacerdotais diante do altar, quando lhe apareceu o anjo do Senhor. Zacarias ficou cheio de terror e bastante perturbado. Após o anjo do Senhor o ter sossegado, informa-o de que ele e Isabel vão ter um filho, que «irá à frente, diante do Senhor, com o espírito e o poder de Elias para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos» (Lc 1, 17). Zacarias não acreditou no que o anjo Gabriel lhe estava a anunciar. E por não ter acreditado ficou mudo. Isabel dá à luz um menino e quando os pais de João o levaram ao templo para ser circuncidado, Isabel declarou que o menino haveria de se chamar João, que significa «Deus agracia» ou o «favorecido por Deus». Todos os presentes se admiraram, uma vez que não havia aquele nome na família. O pai, Zacarias, que ainda continuava mudo, pediu, por gestos, uma placa onde escreveu: «O seu nome é João» (Lc 1, 63). A partir daquele instante, Zacarias começou a falar e cantou um hino ao Senhor, o Benedictus.
Também quando Maria, então grávida de Jesus, visitou Isabel, João saltou de alegria no seu seio e Isabel saudou Maria, elogiando-lhe a fé. Maria encheu-se de Espírito Santo e proferiu um hino de gratidão ao Senhor, o Magnificat.
João foi crescendo e retirou-se para o deserto alimentando-se de mel e frutos silvestres e vestindo-se de peles. Foi no deserto que iniciou a sua pregação e começou a proceder ao batismo no rio Jordão. Eram muitos os que se dirigiam ao deserto para serem batizados por ele. E na sua pregação ia-lhes  dizendo que tinham de se preparar para acolher Aquele que os iria batizar não apenas pela água mas também pelo Espírito, «eu batizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo» (Lc 3,16). Um dia, Jesus desloca-se ao rio Jordão e pede a João que o batize e do céu desceu sobre Ele em forma de pomba o Espírito Santo e uma voz se fez ouvir: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus todo o meu agrado» (Lc 3, 22).
Porém, João acusava severamente Herodes por manter um relacionamento adúltero com a cunhada Herodíade, mulher do seu irmão. Herodes decidiu mandar prendê-lo, tendo depois, sob influência de Herodíade, mandado decapitar a cabeça de João.
No início, João teve dificuldade em reconhecer Jesus como o Messias, porque acreditava que o Reino de Deus viria em poder e força, e por isso enviou mensageiros a perguntar se Ele era realmente o Messias. Jesus deu como resposta as Suas obras, citando o profeta Isaías. João apontou-o como o «Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo» e mandou que os seus discípulos seguissem Jesus.

É por tudo isto que João é uma das grandes figuras do Advento, porque com ele somos convidados a abrir o coração e a vida ao Messias que vem. Com João, somos convidados à oração, à penitência, à vida mais austera e mais sóbria de modo que o nosso coração se purifique e se liberte para bem acolher Jesus. Com João, também somos convidados  a falar do Advento e do Natal de maneira a espalharmos mais a Palavra pelo maior número de pessoas que ainda não O conhecem.

Amar!

Eu quero amar, amar, amar-Te perdidamente!
Mergulhar no Teu amor até me perder totalmente.
Quero abraçar-Te e aconchegar-Te no meu colo.
Vem, Deus do Amor! Vem!

Anseio pela Tua vinda, em Ti deposito toda a minha confiança
e a minha esperança.
Só Tu me dás aquilo que eu procuro.
Vem, Menino belo, Menino doce, que por nós Te fizeste pequenino!

Evangelho do dia

Isaías 11,1-10; Lucas 10,21-24

Brotará um rebento do tronco de Jessé, um renovo brotará das suas raízes. Sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor. Não julgará pelas aparências nem proferirá sentenças somente pelo que ouvir dizer; mas julgará os pobres com justiça, e com equidade os humildes da terra; ferirá os tiranos com os decretos da sua boca, e os maus com o sopro dos seus lábios. A justiça será o cinto dos seus rins, e a lealdade circundará os seus flancos. Então o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o novilho e o leão comerão juntos, e um menino os conduzirá. A vaca pastará um urso, e as suas crias repousarão juntas; o leão comerá palha como o boi. A criancinha brincará na toca da víbora e o menino desmamado meterá a mão na toca da serpente. Não haverá dano nem destruição em todo o meu santo monte, porque a terra está cheia de conhecimento do Senhor, tal como as águas que cobrem a vastidão do mar. Naquele dia a raiz de Jessé, estandarte dos povos, será procurada pelas nações e será gloriosa a sua morada. (Is 11,1-10)

Naquele tempo, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» Voltando-se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não o viram e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram». (Lc 10,21-24)

Todo o cenário idílico, na primeira leitura de hoje, será possível porque apenas um rebento renovado do tronco de Jessé, o Messias, sobre o qual repousam os sete dons do Espírito Santo, vem instaurar a paz, a justiça, a harmonia, o amor e a fraternidade. Somente Deus pode mudar o rumo da humanidade; somente Deus pode mudar os corações dos homens e das mulheres.
E pela ação do Espírito Santo, Jesus exulta de alegria. Somente se fizermos um caminho na pobreza interior, assente na humildade, se nos despojarmos do nosso orgulho, da nossa vaidade, da nossa mesquinhez, dos nossos egoísmos, é que temos o nosso coração preparado para a vinda do Salvador. Preparemos o nosso coração para este Menino que vai nascer. Transformemos o nosso coração rico de banalidades, presunções, medos, em coração pobre, humilde, capaz de escutar a Sua voz, porque os corações ricos não têm espaço para Deus nas suas vidas.

«Bendito sejas, Pai, senhor do céu e da terra,
porque através da sabedoria da fé e do amor
revelas aos simples o que se esconde aos sábios.

A esperança da tua vinda nos vai conquistando, Senhor,
pois a tua justiça desponta já como rosa de inverno,
tornando possível a utopia messiânica do profeta.

Senhor, nós queremos preparar os teus caminhos
sendo instrumentos da tua paz no nosso ambiente,
para que onde imperam o egoísmo e o desamor
semeemos com Cristo paz, justiça, luz, fé, dignidade,
otimismo, fraternidade e alegria no Espírito. Ámen.» in B. Caballero, A Palavra de cada Dia

Deus é Amor!


Amar a Deus é um amor que nos exulta, nos completa, nos preenche totalmente, nos dá vontade de, parafraseando umas estrofes de Florbela Espanca, amar-Te assim perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim... Que só tenho vontade de dizê-lo cantando e dançando a toda a gente! Tivesse eu umas asas de condor e voaria pelo mundo, levando-Te a todos os povos, dizendo aos homens e mulheres deste planeta o quanto Tu fazes maravilhas àqueles que se deixam amar por Ti, àqueles que se entregam de corpo e alma a Ti.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

São Francisco Xavier

Nasceu a 7 de abril de 1506 no castelo de Xavier, em Navarra, na Espanha. Estudou na universidade de Paris tornando-se depois professor. Foi aí que estabeleceu contacto com Inácio de Loiola, seu aluno, que muita influência teve no percurso de Francisco. Inácio repetia-lhe incessantemente a frase do Evangelho: «que  vale ao homem ganhar todo o dinheiro do mundo, se perde a alma?». Francisco acaba por se render à verdade, renuncia às suas ambições académicas e junta-se ao grupo de jesuítas de que Inácio já fazia parte. É ordenado sacerdote em 1537, em Roma, e em 1541 é enviado pelo papa à Índia, ao serviço do monarca português. Evangelizou incansavelmente a Índia e o Japão durante 10 anos, levando muitos à conversão. Sonhou evangelizar a China, mas na noite de 2 para 3 de dezembro de 1552 morre com apenas 42 anos, na ilha de Sanchoão, às portas da China, totalmente esgotado.
Foi proclamado patrono das missões e o papa Pio XII nomeou-o padroeiro do turismo.

Das cartas de São Francisco Xavier, presbítero, a Santo Inácio:
«Viemos por povoações de cristãos, que se converteram há uns oito anos. Nestes sítios não vivem portugueses, por a terra ser muitíssimo estéril e extremamente pobre. Os cristãos destes lugares, por não terem quem os instrua na nossa fé, somente sabem dizer que são cristãos. Não têm quem lhes diga missa e, ainda menos, quem lhes ensine o Credo e o Pai-Nosso, a Ave-Maria e os Mandamentos. Quando eu chegava a estas povoações, batizava todas as crianças por batizar. Deste forma, batizei uma grande multidão de meninos que não sabiam distinguir a mão direita da esquerda. Ao entrar nos povoados, as crianças não me deixavam rezar o Ofício divino, nem comer, nem dormir, e só queriam que lhes ensinasse algumas orações. Comecei então a saber porque é deles o reino dos Céus. Como seria ímpio negar-me a pedido tão santo, comecei pela confissão do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pelo Credo, Pai-nosso, Ave-Maria, e assim os fui ensinando. Descobri neles grande inteligência. Se houvesse quem os instruísse na fé, tenho por certo que seriam bons cristãos.
Muitos deixam de se fazer cristãos nestas terras, por não haver quem se ocupe de tão santas obras. Muitas vezes me vem ao pensamento ir aos colégios da Europa, levantando a voz como homem que perdeu o juízo e, principalmente, à universidade de Paris, falando na Sorbona aos que têm mais letras que vontade para se disporem a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir à glória e vão ao inferno por negligência deles! E, se assim como vão estudando as letras, estudassem a conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos se moveriam a procurar, por meio dos Exercícios Espirituais, conhecer e sentir dentro de suas almas a vontade divina, conformando-se mais com ela do que com suas próprias afeições, dizendo: "Senhor, eis-me aqui: que quereis que eu faça? Mandai-me para onde quiserdes; e se for preciso, até mesmo para a Índia".» In Liturgia das Horas.

Oração: Senhor, que, pela pregação de São Francisco Xavier, chamastes muitos povos ao conhecimento do vosso nome, concedei a todos os cristãos o mesmo zelo pela propagação da fé, para que, em toda a terra, a santa Igreja se alegre com novos filhos. Ámen.

Menino, tu sabes o meu nome

«Menino, tu sabes o meu nome,
E o teu doce olhar chama-me,
Diz-me: Simples abandono
Eu quero guiar a tua barca.

Com a tua mãozinha de criança
Ó que maravilha!
Com a tua vozinha de criança
Acalmas o mar que ruge
E o vento!...

Se quiseres descansar
Quando a tempestade clama
Digna-Te pousar no meu coração
A tua cabecinha loira...

Como é lindo o teu sorriso
Quando estás a dormir!...
Sempre com o meu canto mais doce
Quero embalar-Te ternamente
Lindo Menino!»

Santa Teresinha do Menino Jesus, poesia 42, in Obras Completas

Isaías

Sem sombra de dúvidas que no Advento existem quatro grandes figuras: o profeta Isaías, João Batista, José e Maria.
Hoje vamos abordar Isaías. É o profeta do anúncio do reino que está para vir, o que mais referencia nas suas profecias o Messias e Sua Mãe. É por estes motivos que durante este período é o profeta mais lido nos textos litúrgicos.
Faz frequentes anúncios de que Deus vem salvar-nos, trazendo-nos palavras de consolo, esperança e paz. No capítulo 7, o profeta diz: «O próprio Senhor vos dará um sinal:: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel.»
Lendo Isaías neste período é um convite à alegria, à esperança, abrimos o nosso coração e o nosso espírito à exultação para bem recebermos o Libertador, o Messias, O que vem dar-nos a Salvação.

Evangelho do dia


Isaías 2, 1-5; Mt 8, 5-11

Visão profética de Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém: No fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes, virão muitos povos e dirão: «Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa de Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor.» Isaías 2, 1-5

Naquele tempo, ao entrar Jesus em Cafarnaum, aproximou-se dele um centurião, que lhe suplicou, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre horrivelmente.» Disse-lhe Jesus: «Eu irei curá-lo.» Mas o centurião respondeu-lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado. Porque eu, que não passo dum subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens: digo a um "Vai" e ele vai; a outro "Vem" e ele vem; e ao meu servo "Faz isto" e ele faz.» Ao ouvi-lo, Jesus ficou admirado e disse àqueles que o seguiam: «Em verdade vos digo: do Oriente e do Ocidente virão muitos sentar-se à mesa com Abraão, Isaac e Jacob, no reino dos Céus.» (Mateus 8, 5-11)

Isaías apela-nos para caminhar em direção à luz, deixar para trás as trevas que são o orgulho, o egoísmo, o ciúme, a injustiça, a falta de amor, a inveja, o ódio, o crime, etc. Preparemo-nos para a vida que aí vem: preparemo-nos para a Sua vinda. 

No Evangelho Jesus revela-me que Ele é portador de uma palavra que cura e que liberta o ser humano do mal. Convida-nos a fazer como o centurião, a dirigirmo-nos a Ele com uma fé sem limite, uma confiança total no poder curativo de Deus.
Jesus liberta-nos das nossas enfermidades, partilha a nossa dor, a dor de todos os que sofrem, liberta-nos do mal que nos prende a uma existência medíocre. Poucos são os que acreditam, no meio dos seus afazeres diários, que necessitam de ser curados e salvos, porque estão distraídos com os seus afazeres e sentem-se saciados por eles. Porém, nós necessitamos do auxílio de Deus para sermos curados, daí que devemos pedir-Lhe continuamente que Ele nos ensine a aproximarmo-nos d'Ele com uma fé semelhante à do centurião, humilde mas ao mesmo tempo firme.
Apresentemos, pois, hoje e sempre as nossas debilidades a Jesus: pecados, aspetos negativos do temperamento que necessitam de ser corrigidos, preguiça, ódios mesquinhos e uma série de atitudes que nós por nós mesmos não conseguimos mudar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Primeiro domingo do Advento Ano C

Vinda do Filho do Homem
Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre os povos, aterrados com o bramido e a agitação do mar; os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai acontecer ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória.Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem. (Lucas, 21, 25-28.34-36)

Apenas a oração contínua e de qualidade consegue libertar o ser humano das garras da tristeza, o mantém afastado do pecado. Todos somos pecadores, não há ninguém que não o seja. Pecamos continuamente, ainda que muitas vezes nos custe acreditar nisto. Ao longo do dia, por vezes, somos confrontados com dificuldades, maus pensamentos sobre algo ou alguém, frases desagradáveis ou pouco simpáticas, etc. Se se analisar bem o nosso dia, encontramos muitas situações em que pecamos. O Evangelho deste dia convida-nos a libertar o nosso coração das garras da maledicência, tornando-o totalmente liberto enquanto aguardamos ansiosamente a chegada do Senhor.


sábado, 1 de dezembro de 2012

Vem aí o Amor!


Vem aí o Amor!

O vocábulo Advento significa a vinda, a preparação da vinda, da chegada do Messias, do nosso Salvador, do que veio dar-nos vida e vida em abundância. Ora perante a chegada de tal Rei, é nosso dever de cristão, prepararmo-nos para a Sua chegada. A grande virtude própria desta época é a esperança. Depositamos toda a nossa esperança naquele que vem, tal como esperamos ansiosamente pela vinda de um ente querido, de um(@) amig@ muito especial. E é nesta vivência que intensificamos a oração, unirmo-nos mais Àquele que vem trazer-nos a esperança, a salvação.Por isso devemos preparar o nosso coração e a nossa alma para recebermos o Menino. Aquele que Se fez pequenino para nos salvar. Para O recebermos devidamente devemos estar vigilantes. A vigilância não é uma atitude passiva, mas sim ativa. Devemos estar vigilantes para ficarmos bem despertos para a chegada do Senhor. Estejamos pois despertos e vigilantes porque o Menino vai chegar, vai nascer para nós. Abracemos este Amor gratuito que Deus nos deu e vivamos com alegria, fraternidade, partilha e muita amizade esta quadra.