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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A Oração

A Quaresma está à porta. Tempo de oração, jejum e caridade.

Voltemo-nos para a Oração.

Através da oração, voltamo-nos para Deus. Dizemos-Lhe aquilo que nos move: as nossas alegrias, as nossas tristezas, as nossas aspirações, os nossos medos.
É claro que não sentimos Deus como nosso interlocutor que nos dá uma resposta direta e pronta. Mas somente pela circunstância de nos sentarmos, ou nos ajoelharmos diante d'Ele e encetarmos este diálogo com Ele, nos faz bem, porque a oração pode ser uma conversa. Nela conversamos com Deus e dizemos-Lhe tudo o que nos vai na alma. Tal como nas conversas com os nossos amigos terrenos, umas vezes falamos nós, noutras escutamos. Com Deus é igual. Ora falamos nós a Deus, ora, nos silêncios, diante de Deus e apresentando-Lhe o que nos vem à memória, ao pensamento no momento, escutamos aquilo que Deus tem para nos dizer, aquilo que Deus nos responde. Todavia, não O faz por meio de palavras, mas frequentemente por pensamentos e sentimentos que nos vêm à ideia, desde que Lhe abramos as portas aos nossos desejos, o nosso coração. 
Porém, como podemos saber se efetivamente aqueles sentimentos vêm de Deus e não do nosso ego? Ora só vem de Deus sentimentos e pensamentos que nos alargam o coração, que nos enchem de amor e de paz. Tudo o que nos constrange, nos faz ter medo, só pode vir de dentro de nós mesmos.
O filósofo judeu Abraham J. Heschel disse o seguinte a respeito da oração: «Rezar significa agarrarmo-nos a uma palavra, à extremidade de uma corda que, de algum modo, conduz a Deus. Quanto maior for a força, maior a subida que o eco da palavra cai como um fio de prumo no interior da pessoa. Quanto mais pura for a disposição, mais profundo penetra na palavra.»
Assim, a oração conduz-nos cada vez mais perto de Deus, mas também permite conhecermo-nos melhor, aprofundarmos o nosso eu, a nossa essência interior, ajuda-nos a penetrar mais profundamente em nós mesmos.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os desígnios de Deus são insondáveis... quantas vezes li isto sem entender verdadeiramente o seu significado. Nós olhamos para a vida com olhos temporais e desejamos e pedimos a Deus coisas que quando não as temos, nos revoltamos contra Ele. Porém, Deus olha para a nossa vida com olhos de eternidade. Daí o desaguisado! 
Com o batismo tornei-me católica e uma filha de Deus. Há medida que fui crescendo em idade, tamanho e entendimento fui adquirindo capacidades que me foram abrindo portas ao conhecimento. Na adolescência deixei-me seduzir pelo mundo, pela caducidade deste mundo frenético, individualista, frívolo e muito pouco caridoso.
A minha alma de crente sofreu avanços e recuos. Infelizmente mais recuos que avanços... A vida encheu-se de reveses e nesses momentos menos felizes e menos agradáveis voltava-me para Deus e discutia com Ele. Até que um dia eu me predispus a abrir a porta a Deus. Abri-a de par em par para que a Luz penetrasse totalmente na minha alma e a aquecesse com o fogo reparador e abrasador que só Deus é capaz de dar, e a minha alma deixou de ter frio. 
Deixei de ser seduzida pelo mundo e passei a olhá-lo como ele é: uma peregrinação; um caminho ora reto ora sinuoso; por vezes com dolorosas subidas e vertiginosas descidas. Mas sei que na minha caminhada tenho ao meu lado o maior Amigo que um ser humano pode ter: Deus!
Ele ampara-me nas minhas dolorosas descidas. Nos trilhos mais tenebrosos e escuros Ele é o meu guia e não me deixa cair nem tropeçar. Rejubila comigo quando estou alegre, sofre comigo quando estou triste. Haverá alguém mais amigo do que Deus? Não, não há. Porque Deus está sempre presente, sempre disposto a ouvir os meus lamentos, as minhas angústias, as minhas alegrias, as minhas más disposições e as minhas alterações de humor. Sem que eu o mereça Deus é meu Amigo. Mais: está 24 horas por dia disponível para me ouvir e não é necessário telemóvel, Internet ou qualquer outro meio de comunicação. Basta que eu comece a falar com Ele, como se fala com um grande amigo por quem se tem uma estima infinita, e Ele ouve-me e atende os meus pedidos, as minhas súplicas. Está 24 horas por dia sempre comigo. Quem é o amigo terreno que está assim connosco?
Se as pessoas soubessem como Deus é maravilhoso, possivelmente o mundo seria bem diferente do que é. Deus enche-nos totalmente. Preenche plenamente o nosso coração e todo aquele que deseja a Deus não tem na alma tristeza, amargura ou inquietação que perturbem a paz. Porém, as pessoas estão muito ocupadas com a sedução do mundo, tal como eu também estive durante demasiado tempo e sofri desnecessariamente acabando por nada resolver, somente me desgastando. 
Por isso, agora, fecho os olhos e deixo-me levar por Deus, porque somente Ele sabe o que me convém. Deixo-me ser conduzida por Ele e estou certa de que o meu Amigo, infinitamente misericordioso, me levará por caminhos suaves, ainda que à primeira vista me possa parecer que os meus desejos estejam a ser contrariados, porque para o crescimento interior acontecer são necessários sorrisos e lágrimas, ora uns, ora outros, á semelhança dos dias uns de sol, outros de chuva e a sequência de uns e outros fazem parte da nossa peregrinação por este mundo.

Por agora termino com uma frase do Beato Maria Rafael:
«Procura o Coração de Deus, que esse é insondável, funde-te com Ele e não olhes nem busques outra coisa.» 


sábado, 1 de dezembro de 2012

Vem aí o Amor!


Vem aí o Amor!

O vocábulo Advento significa a vinda, a preparação da vinda, da chegada do Messias, do nosso Salvador, do que veio dar-nos vida e vida em abundância. Ora perante a chegada de tal Rei, é nosso dever de cristão, prepararmo-nos para a Sua chegada. A grande virtude própria desta época é a esperança. Depositamos toda a nossa esperança naquele que vem, tal como esperamos ansiosamente pela vinda de um ente querido, de um(@) amig@ muito especial. E é nesta vivência que intensificamos a oração, unirmo-nos mais Àquele que vem trazer-nos a esperança, a salvação.Por isso devemos preparar o nosso coração e a nossa alma para recebermos o Menino. Aquele que Se fez pequenino para nos salvar. Para O recebermos devidamente devemos estar vigilantes. A vigilância não é uma atitude passiva, mas sim ativa. Devemos estar vigilantes para ficarmos bem despertos para a chegada do Senhor. Estejamos pois despertos e vigilantes porque o Menino vai chegar, vai nascer para nós. Abracemos este Amor gratuito que Deus nos deu e vivamos com alegria, fraternidade, partilha e muita amizade esta quadra.