segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os desígnios de Deus são insondáveis... quantas vezes li isto sem entender verdadeiramente o seu significado. Nós olhamos para a vida com olhos temporais e desejamos e pedimos a Deus coisas que quando não as temos, nos revoltamos contra Ele. Porém, Deus olha para a nossa vida com olhos de eternidade. Daí o desaguisado! 
Com o batismo tornei-me católica e uma filha de Deus. Há medida que fui crescendo em idade, tamanho e entendimento fui adquirindo capacidades que me foram abrindo portas ao conhecimento. Na adolescência deixei-me seduzir pelo mundo, pela caducidade deste mundo frenético, individualista, frívolo e muito pouco caridoso.
A minha alma de crente sofreu avanços e recuos. Infelizmente mais recuos que avanços... A vida encheu-se de reveses e nesses momentos menos felizes e menos agradáveis voltava-me para Deus e discutia com Ele. Até que um dia eu me predispus a abrir a porta a Deus. Abri-a de par em par para que a Luz penetrasse totalmente na minha alma e a aquecesse com o fogo reparador e abrasador que só Deus é capaz de dar, e a minha alma deixou de ter frio. 
Deixei de ser seduzida pelo mundo e passei a olhá-lo como ele é: uma peregrinação; um caminho ora reto ora sinuoso; por vezes com dolorosas subidas e vertiginosas descidas. Mas sei que na minha caminhada tenho ao meu lado o maior Amigo que um ser humano pode ter: Deus!
Ele ampara-me nas minhas dolorosas descidas. Nos trilhos mais tenebrosos e escuros Ele é o meu guia e não me deixa cair nem tropeçar. Rejubila comigo quando estou alegre, sofre comigo quando estou triste. Haverá alguém mais amigo do que Deus? Não, não há. Porque Deus está sempre presente, sempre disposto a ouvir os meus lamentos, as minhas angústias, as minhas alegrias, as minhas más disposições e as minhas alterações de humor. Sem que eu o mereça Deus é meu Amigo. Mais: está 24 horas por dia disponível para me ouvir e não é necessário telemóvel, Internet ou qualquer outro meio de comunicação. Basta que eu comece a falar com Ele, como se fala com um grande amigo por quem se tem uma estima infinita, e Ele ouve-me e atende os meus pedidos, as minhas súplicas. Está 24 horas por dia sempre comigo. Quem é o amigo terreno que está assim connosco?
Se as pessoas soubessem como Deus é maravilhoso, possivelmente o mundo seria bem diferente do que é. Deus enche-nos totalmente. Preenche plenamente o nosso coração e todo aquele que deseja a Deus não tem na alma tristeza, amargura ou inquietação que perturbem a paz. Porém, as pessoas estão muito ocupadas com a sedução do mundo, tal como eu também estive durante demasiado tempo e sofri desnecessariamente acabando por nada resolver, somente me desgastando. 
Por isso, agora, fecho os olhos e deixo-me levar por Deus, porque somente Ele sabe o que me convém. Deixo-me ser conduzida por Ele e estou certa de que o meu Amigo, infinitamente misericordioso, me levará por caminhos suaves, ainda que à primeira vista me possa parecer que os meus desejos estejam a ser contrariados, porque para o crescimento interior acontecer são necessários sorrisos e lágrimas, ora uns, ora outros, á semelhança dos dias uns de sol, outros de chuva e a sequência de uns e outros fazem parte da nossa peregrinação por este mundo.

Por agora termino com uma frase do Beato Maria Rafael:
«Procura o Coração de Deus, que esse é insondável, funde-te com Ele e não olhes nem busques outra coisa.» 


domingo, 27 de janeiro de 2013

Excerto da carta de Isabel da Trindade à sua amiga Francisca

«É preciso que edifiques, como eu, uma celazinha no interior da tua alma; pensarás que o bom Deus está lá e aí entrarás de tempos a tempos; logo que sentires os teus nervos, ou que estás triste, depressa, refugia-te lá e confia tudo isso ao Mestre. Ah, se tu o conhecesses um pouco, a oração já não te causaria tédio; parece-me que é um repouso, um alívio: chega-se muito simplesmente ao pé d'Aquele que se ama, e está-se junto d'Ele como uma criancinha nos braços de sua mãe e dá-se largas ao coração.»
«Oh, minha querida, como se é feliz quando se vive em intimidade com o bom Deus, quando se faz da sua vida um face a face, uma permuta de amor, quando se sabe encontrar o Mestre no fundo da alma. Então, nunca mais se está só e tem-se necessidade de solidão para fruir a presença deste Hóspede adorado. estás a ver, minha Framboesa, é preciso que lhe dês esse lugar na tua vida, no teu coração que Ele tornou tão amante, tão apaixonado. Oh! Se soubesses como Ele é bom, como Ele é todo Amor!» (In Isabel da Trindade)

sábado, 26 de janeiro de 2013

«Quem possui um fundo de humildade não tem necessidade de muitas palavras para se instruir; Deus diz-lhe mais coisas do que as coisas que são passíveis de lhe ensinar; os discípulos de Deus estão nesta situação.» (In Isabel da Trindade)

Palavras para sempre

«Quando a alma chega a acreditar neste "demasiado grande amor" que está nela, já não detém mais nos gostos, nos sentimentos; pouco lhe importando sentir ou não Deus, ou sequer se Ele lhe dá alegria ou sofrimento: crê apenas no seu amor. Quanto mais provada é, mais a fé cresce, porque atravessa, por assim dizer, todos os obstáculos para se ir repousar no seio do infinito Amor, que já não pode senão produzir obras de amor. Também a esta alma inteiramente desperta na fé a voz do mestre pode ainda dizer, no segredo íntimo, esta palavra que um dia dirigiu a Maria Madalena: "Vai em paz, a tua fé te salvou".» (In Isabel da Trindade)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Fixa o teu olhar no espelho da eternidade, deixa a tua alma banhar-se no esplendor da glória e une o teu coração Àquele que é encarnação da essência divina, para que, contemplando-O, te transformes inteiramente na imagem da sua divindade. Assim, também tu poderás experimentar o que só os amigos podem sentir quando saboreiam a doçura escondida que Deus reserva desde toda a eternidade àqueles que O amam. Despreza tudo o que neste mundo de enganos e perturbações cega o coração dos homens e ama de todo o coração Aquele que se entregou por teu amor e cuja beleza o sol e a lua contemplam. A grandeza e a abundância das suas recompensas não têm limites. 
Santa Clara de Assis, Cartas de Santa Clara
 
«Que falsidade dizer que nada tem o que tem a Deus!...
Sim! Porque calá-lo?... Porque ocultá-lo?... Porque não gritar ao mundo inteiro e publicar aos quatro ventos as maravilhas de Deus? Porque não dizer aos povos e a todo o que queira ouvi-lo: Vês o que sou? Vês o que fui? Vês a minha miséria arrastada pela lama?... pois não importa; maravilhai-vos; apesar de tudo tenho Deus... Deus é meu amigo!
Que se afunde o sol e se seque o mar de assombro!
Deus quer-me tão entranhadamente que, se o mundo inteiro o compreendesse, ficariam loucas todas as criaturas e bramiriam de pasmo. Ainda mais... tudo isso é pouco.
Que doce é viver assim, só com Deus dentro do coração! Que suavidade tão grande é ver-se cheio de Deus! Que fácil deve ser morrer assim!
Só Deus enche a alma! E enche-a toda!
Que venham os sábios perguntar onde está Deus. Deus está onde o sábio, com a ciência soberba, não pode chegar.
Deus está no coração desprendido, no silêncio da oração, no sacrifício voluntário da dor, no vazio do mundo e suas criaturas.
Deus está na Cruz, e enquanto não amarmos a Cruz, não o veremos, não o sentiremos.
Calem-se os homens, que outra coisa não fazem que ruído!
Que me importa o que façam ou digam os homens? Para mim não deve haver no mundo mais que uma coisa... Deus...
Deus que me vai ordenando tudo para meu bem.
Deus que faz nascer em cada manhã o sol, que desfaz o orvalho, que faz cantar os pássaros e vai mudando em mil suaves cores as nuvens do céu...
Deus que me oferece um cantinho na terra para orar, que me dá um lugar onde possa esperar o que espero...
Deus tão bom para mim que, no silêncio, me fala ao coração, e me vai ensinando, pouco a pouco, talvez com lágrimas, sempre com a Cruz, a desprendê-lo das criaturas, a não procurar a perfeição senão nele..., a mostrar-me Maria e a dizer-me: Está aqui a única Criatura Perfeita..., nela encontrarás o amor e a caridade que não encontras nos homens.
De que te queixas, irmão Rafael? Ama-me, sofre comigo, sou Jesus. Ah! Virgem Maria... está aqui a grande misericórdia de Deus... está aqui como Deus vai trabalhando na minha alma, umas vezes na desilusão, outras no consolo; mas sempre para ensinar-me que só nele tenho de pôr o coração, que só nele tenho de viver, que só nele hei de amar, de querer, de esperar..., em pura fé, sem consolação nem ajuda de criatura humana.»
Frei Maria Rafael, Pensamentos

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ó Jesus, meu Senhor! Eu consagro-me e me abandono à sabedoria suprema e incomunicável a qualquer criatura, ao poder sublime, absoluto e particular sobre toda a criação que possui a tua humanidade, em virtude da condição admirável e adorável da filiação divina.
Ofereço-me e consagro-me todo a Ti.. e desejo que Tu tenhas um poder especial sobre a minha alma e a minha condição, sobre a minha vida e os meus atos, como sobre uma coisa que Te pertence por um direito novo e particular, em virtude do ato da minha espontânea vontade, pelo qual quero depender sempre da tua soberania.
E, porque o teu poder excede infinitamente o nosso, peço-Te, ó Jesus, que assumas Tu mesmo todo o poder que eu não sou capaz de te dar. Aceita-me como teu súbdito e teu escravo, ainda que seja de maneira incompreensível para mim, mas que Tu bem conheces. (P. de Bèrulle, As Grandezas de Jesus)

Evangelho do dia


Naquele tempo, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, pois eram como ovelhas sem pastor. Começou então a ensiná-los, demoradamente. Como a hora ia já muito adiantada, os discípulos aproximaram-se  de Jesus e disseram-lhe: «O local é deserto e a hora vai adiantada. Manda-os embora, para irem aos casais e aldeias mais próximas comprar de comer.» Jesus respondeu-lhes: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Disseram-Lhes eles: «Havemos de ir comprar duzentos denários de pão, para lhes darmos de comer?» Jesus perguntou-lhes: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Eles foram verificar e responderam: «Temos cinco pães e dois peixes.» Ordenou-lhes então que os fizessem sentar a todos, por grupos, sobre a verde relva. Eles sentaram-se, repartindo-se em grupos de cem e de cinquenta. Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e pronunciou a bênção. Depois partiu os pães e foi-os dando aos discípulos, para que eles os distribuíssem. Repartiu por todos também os peixes. Todos comeram até ficarem saciados; e encheram ainda doze cestos com os pedaços de pão e de peixe. Os que comeram dos pães eram cinco mil homens. (Marcos 6, 34-44)

Jesus compadeceu-se daquela multidão que Lhe pareceram ovelhas perdidas, desnorteadas e abandonadas, sem pastor. E começou então a ensiná-los, a orientá-los, a guiá-los, porque somente guiados por tal Pastor, ensinados por tão ilustre Mestre é que podemos encontrar o caminho que nos levará à casa do Pai. Jesus é o único capaz de saciar a nossa fome e a nossa sede, fonte inesgotável de água límpida e fresca. Apenas Ele é capaz de nos oferecer a palavra que nos consola, nos encoraja e nos acompanha. Porque:

O Senhor é meu pastor: nada me falta.
Leva-me a descansar em verdes prados,
conduz-me às águas refrescantes
e reconforta a minha alma.

Ele me guia por sendas direitas,
por amor do seu nome.
Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos,
não temerei nenhum mal, porque Vós estais comigo:
o vosso cajado e o vosso báculo me enchem de confiança.

Para mim preparais a mesa,
à vista dos meus adversários:
com óleo me perfumais a cabeça
e o meu cálice transborda.

A bondade e a graça hão de acompanhar-me,
todos os dias da minha vida,
e habitarei na casa do Senhor,
para todo o sempre. (Salmo 22)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

João, 15

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. (...)
Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer.» João, 15, 1-2.4-5

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Suave milagre

Entre Enganim e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ela o criara, para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara, dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada.
E, sobre ambos, espessamente a miséria cresceu, como o bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava grão ou côdea. No estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!
Um dia, um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, desse rabi que aparecera na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso Reino, de abundância maior que a corte de Salomão.
A mulher escutava com olhos famintos. E esse doce rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava?
O mendigo suspirou. Ah! esse doce rabi! Quantos O desejavam, que se desesperançavam! A Sua fama andava por sobre toda a Judeia como o sol, que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas, para enxergar a claridade do Seu rosto, só aqueles ditosos que o Seu desejo escolhia. Obed, tão rico, mandara os seus servos por toda a Galileia, para que procurassem Jesus, O chamassem com promessas a Enganim; Septimus, tão soberano, destacara os seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus e O conduzissem por seu mando a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Septimus. E todos voltavam como derrotados, com as sandálias rotas, sem terem descoberto em que mata ou cidade, em que toca ou palácio, se escondia Jesus.
A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, mais vergada, mais abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar de uma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi, que amava as criancinhas ainda as mais pobres, sarava os males ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça esguedelhada.
-- Oh, filho! E como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areias e colinas, desde Corazim até ao país de Moab. Septimus é forte e tem soldados e debalde correram por Jesus, desde Hébron até ao mar! Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe, e a nossa dor mora connosco dentro destas paredes, e dentro delas nos prende. E mesmo que O encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por Quem ricos e fortes suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho, tão pobre, sobre enxerga tão rota?
A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:
-- Oh, mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!
-- Oh, meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galileia e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh, filho! Talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes O encontram. O Céu O trouxe, o Céu O levou. E com Ele para sempre morreu a esperança dos tristes.
Dentre os negros trapos, erguendo as usas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:
-- Mãe, eu queria ver Jesus...
E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:
-- Aqui estou.»

Eça de Queirós, Contos.

Santa Maria


«De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações».
Nós te saudamos Maria, Mãe de Deus, tesouro escondido de todo o universo, astro sem declínio, coroa da virgindade, ceptro da fé ortodoxa, templo indestrutível, morada do incomensurável, Mãe e Virgem, por quem é chamado «bendito», nos santos evangelhos, «Aquele que vem em nome do Senhor» (Mt, 9; Sl 117,26).
Saudamos-te, a ti que levaste no teu seio virginal Aquele que os céus não podem conter. Graças a ti, a Trindade é glorificada e adorada em toda a terra; graças a ti, o céu exulta, os anjos e os arcanjos se alegram, os demónios são afugentados, o tentador caiu do céu, os homens decaídos são elevados ao céu. Graças a ti, o mundo inteiro, cativo da idolatria, chegou ao conhecimento da verdade, o santo Batismo é dado, com o «óleo da alegria» (Sl 45,8), àqueles que acreditam, foram fundadas igrejas em todo o mundo, as nações pagãs foram levadas à conversão.

E que mais poderei dizer? Foi graças a ti que a luz do Filho único de Deus brilhou para «aqueles que viviam nas trevas e nas sombras da morte» (Lc 1,79; Is 42,7). [...] Quem poderá celebrar dignamente os louvores a Maria? Ela é ao mesmo tempo mãe e virgem. Que maravilha! Quem jamais vez ouviu dizer que o construtor pudesse ser impedido de morar no templo que ele
mesmo construiu? Quem ousaria criticar Aquele que dá à Sua serva (cf. Lc 1,48) o título de mãe?Eis que assim o mundo inteiro se alegra. [...] Que nos seja permitido, isto é, à santa Igreja, venerar e honrar a Trindade indivisa cantando louvores a Maria sempre Virgem e ao seu Filho e seu Esposo imaculado.

Homilia proferida no Concílio de Éfeso, em 431, atribuída a São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo e doutor da Igreja.