domingo, 21 de julho de 2013

Salmo 14 (15)
«Quem habitará, Senhor, no vosso santuário,
quem descansará na vossa montanha sagrada?

O que vive sem mancha e pratica a justiça
e diz a verdade que tem no coração;
o que não usa a língua para levantar calúnias,
e não faz o mal ao seu próximo
nem ultraja o seu semelhante;

o que tem por desprezível o ímpio,
mas estima os que temem o Senhor;
o que não falta ao juramento, mesmo em seu prejuízo,
e não empresta dinheiro com usura,
nem aceita presentes para condenar o inocente.

Quem assim proceder
jamais será abalado.»

Este lindíssimo salmo convida-nos à reflexão! Também nós, tal como o salmista, podemos perguntar a Deus: «Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?» Neste mundo todos somos peregrinos e nesta peregrinação buscamos o caminho, que é somente um: o caminho que nos leva a Deus, a habitar o Seu santuário. O ser humano é um indivíduo errante, procura o verdadeiro repouso, procura a felicidade. Se se perguntar a alguém se deseja ser feliz, a resposta afirmativa surge de imediato. A felicidade é o fim de toda a nossa vida. 
Pela fé, tornamo-nos fiéis a Deus, porém ainda não chegamos à felicidade almejada, mas estamos no caminho certo; o caminho que nos conduz à felicidade eterna, ao amor eterno que é Deus. O amor a Deus e ao próximo são como que passos que vamos dando neste mundo.
E ao meditarmos este salmo, vem logo à ideia as palavras de Jesus: ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.
«Quem ama, corre; quanto mais fortemente amas, mais depressa caminhas; quem ama pouco, progride devagar; quem não ama, não avança; quem ama o mundo, olha para trás, e não está voltado para a pátria.» (Santo Agostinho)
16.º Domingo do tempo comum
1.ª leitura: Gn 18,1-10a
Sl 14(15),2-4ab.5
2.ª leitura: Cl 1,24-28
Evangelho Lc 10,38-42

«Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação, e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: "Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me." O Senhor respondeu-lhe: "Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada."»

Quantas vezes, demasiadas vezes, fazemos o papel de Marta! Embrenhados nos nossos afazeres, envolvidos de tal ordem com as nossas tarefas e os nossos problemas, que nem tão-pouco nos lembramos do papel de Maria...
Marta, perante tal visita ilustre, Jesus, deseja agradar-lhe através de uma refeição de excelência. Maria, pelo contrário, sentou-se aos pés do Mestre e escutou-O. Preferiu conversar com Ele, ouvir as Suas palavras. A atitude de Marta, a sua hospitalidade, o seu desejo de agradar ao Mestre, mediante o trabalho de bem receber, são, sem dúvida louváveis. Porém, Jesus declara que há uma maneira melhor de receber o Senhor: aquela que Maria escolheu.
Com efeito, quando Deus nos visita fá-lo sobretudo para nos conceder os Seus dons, comunicar-nos a Sua palavra. Todavia, o que fazemos nós? Escutamos tal como Maria o fez, ou adotamos o lugar de Marta e perdemo-nos nos nossos afazeres? Infelizmente somos mais Martas do que Marias. O equilíbrio é muito difícil de alcançar: obreiros e contemplativos! Quantas vezes partimos para a ação sem antes conversarmos com Deus, sem escutar a Sua voz!

Ó Senhor, concede-me o anelo de Te escutar! Ajuda-me a encontrar o equilíbrio. Ajuda-me a ser mais Maria do que Marta. Faz com que no meio da minha atividade diária, enquanto desempenho o meu ofício de Marta, a minha alma possa permanecer sempre em contemplação, em adoração, imersa, tal como Maria, nessa fonte eterna bebendo avidamente as Tuas palavras!

domingo, 14 de julho de 2013

Domingo, XV do tempo comum
1.ª leitura Dt 30, 10-14;
2.ª leitura Cl 1, 15-20;
Lc 10, 25-35.

«Esteja a Vossa palavra, Senhor, na minha boca e no meu coração para a poder cumprir.» (Dt 30, 14)

Deus não se alheou da vida do homem, mas inclinou-se sobre ele e estabeleceu com ele uma aliança. «Hás de ouvir a voz do Senhor, teu Deus, e cumprir os seus ensinamentos e as suas leis.» (Dt 30, 10). Não se trata de uma lei abstrata, imposta a partir de fora, mas sim de dentro, inscrita no coração do ser humano.
O Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus a falar com um doutor da lei sobre o primeiro mandamento: o amor a Deus ao próximo. O doutor interroga Jesus, não pelo desejo de aprender, mas para «O experimentar», e termina a sua consulta com a seguinte pergunta: «Quem é o meu próximo?». Jesus não lhe responde com uma definição, mas com uma história de um infeliz, que foi assaltado, esmurrado por um grupo de salteadores e atirado para uma valeta meio morto. Passam por aquele caminho dois indivíduos -- um sacerdote e um levita -- que o veem, mas seguem o seu caminho sem tão-pouco se preocuparem com ele. Um samaritano passa, apieda-se do pobre infeliz e socorre-o, levando-o até uma estalagem.
A conclusão a que chegamos é clara: não podemos fazer distinções de religião, nem de raça, nem de amigo ou de inimigo. Todo aquele que necessita de ajuda, esse é o nosso próximo, como tal deve ser amado, como se ama cada um a si mesmo.
A parábola de Jesus obriga o doutor da lei a reconhecer que quem cumpriu a lei foi o homem que não era especialista nela, como o sacerdote ou o levita teriam maior responsabilidade em socorrer o ferido. O samaritano, um homem sem instrução, que era visto pelos judeus da época como incrédulo e pecador. Aquele que tem um coração empedernido, é egoísta e olha apenas para o seu umbigo e sempre encontrará desculpas para se ver livre de ajudar o próximo, especialmente se essa ajuda lhe for incómoda e lhe exigir sacrifícios.

«Ó Cristo, ó doce Jesus! Concedei-me essa inefável caridade para que seja perseverante e nunca mude, porque quem possui a caridade, está apoiado em Vós, pedra viva, isto é, aprendeu a amar o seu Criador, seguindo os vossos passos. Em Vós leio a regra e a doutrina que me convém possuir, porque Vós sois o caminho, a verdade e a vida; porque, lendo em Vós, que sois o livro da vida, poderei andar no reto caminho e atender unicamente ao amor de Deus e à salvação do meu próximo.» (Santa Catarina de Sena, Epistolário, 7)